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terça-feira, 25 de dezembro de 2007

mídia maldita

Mídia maldita
by susie, 20.04.07

Fico cada vez mais indignada com a mídia. A mídia manipula a mente. É traiçoeira, é injusta e cruel. Um dia coloca uma pessoa no céu, como rei, outro dia joga-a no mais profundo abismo, como ninguém. A televisão, em especial, é no Brasil o meio de comunicação mais utilizado. A rede Globo, como canal aberto, esta na casa de quase todos os brasileiros. Às vezes vejo uma casa no morro, muito pobre, mas tem uma atena de TV, e às vezes até parabólica. Na França e outros paises da Europa, a literatura é uma grande difusora de idéias e formadora de opiniões. Ficava impressionada quando morava em Paris, de ver um mendigo que ‘morava’ perto da linha de metro 12 que eu morava. Todos os dias ele lia o jornal, e tinha sempre livros por perto, e quantas vezes o encontrei lendo.
Mas a mídia maldita tem me dado nos nervos. Essa semana, foi noticia mundial, o assassinato de 32 pessoas em uma universidade de Virginia, chamada Virginia Tech, o jovem assassino, estudante da mesma, planejou e antes do acontecido, enviou um vídeo e uma carta para uma rede de televisão importante nos EUA. Lógico, em seguida virou noticia do momento. A mídia com isso, deu idéias a muitos outros a fazerem o mesmo. Hoje de manha, ouvi em rede nacional, a noticias de que houveram várias ameaças em outras universidades e escolas. Coloca essa noticia num patamar tão alto, que as pessoas esquecem que no Iraque, morrem às vezes mais de 100 inocentes por dia, com essa guerra com os EUA, que já vem perdurando um tempo, e não vai acabar tão cedo. Agora, não estou dizendo que essa tragédia na universidade seja menor, tudo é a mesma coisa. São pessoas inocentes morrendo. Pessoas apenas com crenças, idéias e mundos diferentes. Mas são gente. São Humanos. Parece que a mídia faz agente ficar um pouco dormente, pois quando vemos o que acontece no Iraque, não sentimos muito mais, por isso, precisam de noticias ‘mais tragicas’, para gerar audiência.
Outra coisa que me causa indignação é a força, às vezes ‘ oculta’ da mídia para formação de estigmas. Analisando a vida do estudante Sucuriano, autor da tragédia na universidade, os psiquiatras estão agora analisando o perfil dele, e a mídia, tem dito, ‘cuidado com aquelas pessoas que são muito tímidas, poucos amigos, poucas conversas’. Tem pelo amor de Deus, esta gerando mais exclusão, pois aquele que é tímido, pois é assim que seus pais são, ou outra razão, já vai ser visto como alguém com problemas e com desconfiança. O jovem estudante em sua carta fala de sua exclusão da sociedade americana, e são compreensíveis suas razões, mas não justificáveis. Com certeza o seu atenuado problema psiquiátrico o levou a essa atitude drástica de revolta. Mas, dá licença, não vamos excluir mais ainda, aquele que parece ‘esquisito’, pensando que poderá ser um assassino em potencial. A jornalista teve o escrúpulo de dizer, que os professores devem ser atenciosos aos ‘esquisitos’. Será se porque alguém se veste diferente, é mais calado, já deve ser visto com desconfiança? Sou professora, quando tenho uma aluna ou aluno com algo que me inquieta procuro os pais, e vemos o que podemos ajudar. Sejamos mais coerentes. Sejamos mais críticos com a mídia. Não podemos aceitar tudo que ouvimos do jeito que ouvimos. Vamos pensar sobre o que ouvimos.
Ainda sobre a televisão, fico enojada quando vejo, por exemplo o big brother, sendo o programa de maior audiência nacional. Um programa nojento, pessoas conversando abobrinhas e por trás de uma idéia manipuladora para gerar audiência. Com certeza a maioria das conversas são armações, e aí todo mundo só fala nisso. ‘Há, mas é entretenimento’, ouvi no meu ambiente de trabalho, por alguns que choraram na final e ficaram a tarde inteira na internet tentando ligar para votar. Será se não existe outra forma de entretenimento? A televisão, assim como a internet, tem o lado bom, mas o lado maldito também esta lá. A linha ta ficando tão tênue, que às vezes da vontade de não ter ambos. Mas não é a solução. Pensar sobre tudo e não aceitar tudo, seria um caminho.

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