
Janeiro. Mês do meu aniversário. Yohan ainda de férias para Brasília com o pai. Salvador: meu destino. Mochila roxa da Gap, não poderia ser outra cor. Pintei as unhas de amarelo. Pouco dinheiro, muita coragem e lá fui eu. Albergue Jardim Brasil na Barra. Fui de ônibus do aeroporto. O táxi era 50,00 reais. Peguei um buzú e economizei 48,00. Jantar especial com frutos do mar garantido. Que nada, sopinha Vono, e depois dum cochilo daqueles - direto: loja Renner. Comprar um biquíni novo. Tava lá no conflito de comprar algo decente, pois não quero ser uma ‘lady’ prestes a fazer 32 anos vestindo igual a uma mocinha. Patético. Mais também não quero vestir aqueles maiôs que parece mais uma cinta de mulher de resguardo.
Viajar sozinha é meio estranho no inicio, pois um sentimento de estar perdida, assim, com cara de cachorro sem dono. Mais precisa ter calma, é um bom momento para sermos nós mesmos e deixar as coisas acontecerem.
Conhecer pessoas diferentes é muito bom. Boas pessoas, eu digo. Pois tem aquelas que te conhecem já com interesses dos mais diversos. Falo daqueles que você conhece e eles vêem beleza em sua alma antes de qualquer outra coisa. Pode ser conhecer um amigo ou amor. Conheci os dois. Três amizades. Amor. Só platônico. Distância é um problema. Vivi momentos maravilhosos. Andar pelo pelourinho, assim com a cara suada, meio desconfiada. Nada de fitinha do tal do Bonfim. Colares exóticos no mercado Modelo. Estes sim. Paguei 0,5 centavos para descer o elevador Lacerda, que te leva da parte alta aonde esta o Pelorinho até o mercado modelo. Ri. Pensei que era brincadeira. Dei 0,10 e esperei o troco. Fui à casa de Jorge Amado. Te amo Jorge.
Ah, vou falar mais dos amigos e amores. Não vou usar a palavra amigos. Conhecidos que parecem legais e que poderão se tornar amigos. Amores. Aqueles que você conhece e pensa...’hum...se não morasse num outro continente’. Pois lá ficam muiiiiitos estrangeiros hospedados. Acho que dizer amores, pode soar meio boêmio. Daria para escrever ‘Paixão de verão”. Nada original. Nem quero plagiar Shakespeare que já usou ‘sonhos de uma noite de verão’.. Ah, deixa para lá. Um gato negro lindo que você conversa por três horas e pensa que queria conhecê-lo melhor, se não morasse lá em San Diego, Califórnia. Vimos o pôr do sol na praia da barra. Hum. Lindo. Digo, o pôr do sol. Sem mentiras. Os dois. Eu que nem gosto dos Estados Unidos. Nossa primeira conversa foi mais ou menos assim.
Ele: Hum de onde você é?
Eu: do Brasil.
Ele: risada mostrando os dentes perfeitos e branquinhos.
Eu: Ah ta, sou do estado de Goiás, mais moro em Natal. E você?
Ele: Dos Estados Unidos.
Eu: Hum, odeio seu país....
Era para ser o fim da conversa. Mais foi o inicio de um diálogo inesquecível. Sobre a vida, nossos países com suas políticas bizarras e economias desiguais, nossos medos, nossos sonhos, planos. Nem precisava de tanto. Mais a conversa não tinha fim. Mais o danado foi embora no fim do outro dia. Fim do sonho de verão. Parece.
Outro gato da Argentina. Acabou me convencendo a colocar a Argentina na minha lista de lugares a serem visitados. Na minha lista, de um a 10 lugares a ir, argentina nem entrava. Mais vou aumentar a outra lista dos 50 lugares no mundo. Entrou para o numero 51 da lista. Já conseguiu muito.
Jujuba. Esse é o apelido que acabei de dar a uma paulista que conheci, que no início pensei: deve ser chata. Mais as primeiras impressões nunca são as que ficam para mim. Ignoro-as e procuro ‘chec it out’, antes de fazer uma opinião sobre alguém ou situação. No fim, descobri que eu estava errada. Uma menina inteligente. 21 anos. Concluiu a faculdade. Cheia de vida. Responsável. Tinha ganhado essa viagem a Salvador pela agência de turismo que trabalha, com certeza, por ser competente. Ela até foi comigo no ponto de ônibus quando vim embora. Fomos à praia juntas. Rimos. Ouvimos as 10 músicas do meu celular. Pink martini. Jack jhonson, Emily - "I am a big big girl in a big big world, is not a big big thing if u leave me..."
Claire. Francesa. Mora em Belo Horizonte. Estagio de Ciências Políticas. Namora um Mineiro. Comemos queijo juntas e conversamos até. Salut toi.
Anna. Alemã. Nem parece. Não é alta, loira, nem tem olhos azedos. Muito especial. Namora um baiano. Um caso complicado. Saímos juntas e rimos dos ‘negros’ gatos querendo nos impressionar.
Acho que Deus sabia o que eu mais preciso no momento. Bons amigos. Estou começando uma nova vida depois do divorcio. Amigos que não me julgam. Mais que me fazem crescer. Descubra o que eu tenho de bom, e me ajude a melhorar ó que pode se mudado em mim. Amigos que eu possa ser eu mesma. Falar de tudo e de nada. Rir. Chorar se for preciso. Não um milhão de amigos. Estes, só para Roberto Carlos. Para mim, alguns, mais que valem por milhões. Amigos que me protejam. Amigos que falam o que pensam. Que critiquem construtivamente o que escrevo ou falo. Que eu possa contar com eles a qualquer momento. Pois eles podem contar comigo. Vou manter contato com o que conheci de longe. MSN. Oras, por que não? Viagens de férias para nos encontrarmos. Claire está aqui em Natal. Abandonou Bahia. Resolveu vir ver Yohan que chega amanha. Fui com ela à Pipa no Domingo. Milla que eu tinha conhecido em dezembro quando tinha ido sozinha a Pipa, também veio ficar no meu AP uns diazinhos antes de eu ir a Salvador. A árvore da amizade está criando raízes. Minha vida está mudando. Ixi, agora que me lembrei que nem comi Acarajé na Bahia. Ah, vou ter que voltar lá para isso.