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sábado, 26 de janeiro de 2008

OCEANO

Amo biografias. Elas me motivam. Se existem, é porque essas pessoas se recusaram a viver uma vida ordinária. ‘I have a dream”. Martin Luther King. Ele morreu por causa de seu sonho. Teria completado 79 anos no dia 15 de janeiro. Merece o feriado nos EUA na terceira segunda feira do mês de janeiro. ‘Lutou’ contra a segregação dos negros. Era a favor da luta sem violência. Merecido o Premio Nobel da Paz. Ele gostava dos ensinamentos de Jesus e de Ghandi. Dois que eu teria dado o Nobel da Paz.
Tenho pensado em Martin Luther King e suas palavras desde que voltei de Salvador. Conheci esse americano de San Diego, Califórnia. Vou chamá-lo de Oceano. Foi à beira deste, na praia da Barra, que tivemos conversas e afetos inesquecíveis. Negro. Estudou. Está ‘vencendo na vida’. Montou seu próprio negócio. Está prosperando. Imagino que o período de segregação dos negros nos Estados Unidos ainda tem uma marca profunda nos afro-americanos. Com certeza após ser rejeitado, alguém não se sente bem-amado, nem bem-vindo da noite pro dia. Ele saiu de Salvador e continuou a viajar pelo Brasil. Começou a me escrever e-mails. Encontrou tanto racismo nos estados brasileiros que passava. Ele contava que as pessoas desconfiavam dele. Fiquei pensando nisso. Ser negro não deve ser fácil mesmo. Enfrentar o preconceito, a indiferença, o desprezo.
O assunto esses dias na hora do almoço aqui em casa foi sobre os negros. Acho que esse tema estava ‘cooking’ na minha cabeça. Talvez eu tenha falado alguma coisa. Não sei como começou. Meu filho me perguntou se eu namoraria um negro. Com certeza. Respondi. Tinha contado, ‘sem muitos detalhes’, que tinha conhecido o Oceano em Salvador. Um amiguinho dele lhe disse que os negros não gostavam de trabalhar e ele queria saber se era verdade. Meu Deus. O que tem de branco preguiçoso. Negros também. Branco ruim. Negros também. A cor de alguém não determina as atitudes boas ou más de uma pessoa. Continuei dizendo a Yohan que somos criaturas de Deus e que não devemos tratar com indiferença uma pessoa que tem uma cor diferente da nossa. Quis ter o Oceano trazendo uma brisa suave no meu rosto. Fiquei pensando na infância dele. Como deve ter sido. Querendo brincar com os outros meninos de ‘outra’ cor e ser rejeitado. Quis abraçar Martin Luther King. Quis telefonar para Mandela. Outro Nobel da Paz merecido. Fim do apartheid. Mais não o fim da discriminação. Mais é uma pena que as mudanças não ocorrem assim rápidas, mais são tão morosas que se tornam angustiantes. Tantas conquistas. Tanta modernidade, e ainda tanto preconceito. Se eu me tornasse a Sra. Oceano votaria em Barack Obama.

4 comentários:

Lucia disse...

Que bom que seu filho tem alguem como voce pra lhe ensinar o que e' certo: que a aparencia das pessoas e' o de menos. Que o que importa sao as qualidades e a pessoa em si.

Engracado voce comentar sobre racismo ai no Brasil, pois nunca o notei quando morava ai. Tinha amigos pretos no colegio, empregadas pretas com quem cresci e as quais amava demais, etc...

Notei muito preconceito e racismo quando vim morar aqui nos USA. Nem acreditei que era algo tao falado e com uma segrecacao tao grande. Pra que, sabe? Somos todos seres humanos, todos iguais. Se eu tenho qualquer preconceito e' que acho que as pessoas sao meio burras e ignorantes e que prefiro a compania de animais do que a de pessoas. Infelizmente prefiro mesmo, pois nao existe nada disso no meio animal.

silcia susie soares disse...

pois é querida...ainda tem muito racismo no Brasil...já sabia disso, mais meu amigo vivenciou. Fico feliz com suas visitas no meu blog. Abraço e boa semana.

Lucia disse...

Cade voce, menina? bjos

silcia susie soares disse...

querida lucia...voltei para facu...e tô terminando um livro para enviar para o concurso Barco a Vapor...mais logo vou colocar novos post aqui. abraço forte.