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domingo, 7 de setembro de 2008

Carta à Lula da Silva

Querido Lula

A tempos estou querendo te escrever.Teria muitas coisas para te falar, e te perguntar - sobre a saúde, por exemplo, queria que viesse visitar o hospital público da minha cidade. Sabe o que é sofrer de dor numa fila de espera de um hospital e correr o risco de não ter vaga? Nosso país não tem recursos para melhorar o sistema de saúde pública?  Queria tirar dúvidas sobre essa campanha contra a rubéola, duvido que não exista idéias manipulativas por trás da mesma. Mas não, deixe essas perguntas para outra oportunidade. Hoje, como é a primeira vez que te escrevo, quero conversar com você sobre a educação básica do nosso Brasil. 

Sou alguem que tenho fé. Tenho fé em Deus, em mim mesma e nas pessoas. Tive fé em você quando ajudei a te eleger com meu voto. Tive esperanças que a sua história de vida, marcada de lutas pelos interesses dos trabalhadores, de valorização do ser humano, iria fazer de você um presidente que colocaria as prioridades nos devidos lugares, e a educação viria num dos primeiros lugares da lista. Não sonha com um Brasil usando seus recursos naturais e sendo bem desenvolvido? Bem, é isso que vejo você dizendo pelo mundo a fora. Mas, do que adianta um discurso bonito seu, se na realidade nossa educação básica está longe de ser formadora de cidadãos conscientes, preparados para atuarem nessa sociedade que está longe de ser bem desenvolvida. Tantas escolas sem estruturas para um bom funcionamento, pouca  valorização para a formação continuada dos professores. 

Estou terminando o curso de Pedagogia. Escolhi essa profissão por acreditar na Educação. Sabe o que ouço de companheiras de trabalho nas escolas públicas que estou estagiando? "Minha filha, desista enquanto é tempo e jovem, vá investir em outra área, não vale a pena trabalhar na educação, ganha pouco, e ninguém te valoriza". Pense comigo, trabalhar o dia todo, ganhando realmente pouco, você sabe disso, mesmo com esse possivel aumento do piso salarial, e muitos dos professores trabalhando até três turnos para sobreviverem. Sabe um dos resultados? Professores cansados, sem motivação, sem voz, nos dois sentidos, ficam roucos, e não sentem que são ouvidos por você. 

Talvez você queira me explicar que o sistema é dificil, existem aquelas leis que já estavam lá quando você chegou, e por aí vai. Mas creio no poder de um homem com as intenções certas a favor do ser humano. Você ainda pode ser esse homem. 

Até a próxima

S Soares Silva 

sábado, 6 de setembro de 2008

Escolho o amor

"Para os meus pacientes, eu sempre digo: se você tiver de escolher entre o amor e a individualidade, opte pelo segundo. Os solteiros que não estão bem são geralmente os que ainda sonham com um amor romântico. Ainda possuem a idéia de que uma pessoa precisa de outra para se completar. Pensam, como Vinicius de Moraes, que "é impossível ser feliz sozinho". Isso caducou. Daí, vivem tristes e deprimidos.
Flávio Gikovate, psiquiatra,  à revista VEJA, em entrevista a Duda Teixeira.

 

...vou criar coragem, e peitar Flávio, discordo de você. Eu escolheria o amor. Nem que ele não durasse para sempre. O meu primeiro casamento durou apenas 11 anos. Mas estou aberta para outro. Dividir a vida com alguém, que se tenha afinidades, companheirismo, é muito melhor que a individualidade que acompanha a solidão. Escolho o amor com individualidade, onde um não se perde no outro, mas um ajude ao outro a se encontrar consigo mesmo,  viver melhor, alcançar os sonhos individuais, sonhos construídos juntos, a vencer as desilusões, os fracassos, os dias maus e celebrarem juntos as vitórias. Fico com Vinicius de Morais. Não impossível viver feliz sozinho, mas melhor estar com alguém. Dividir a vida com outra vida.

            Amei uma  dedicatória de um autor à sua mulher: ‘dedico esse livro à leoa que acorda comigo todas as manhãs, e me ataca com carinho’. Acredito no amor, e ainda no casamento. Gosto de idéias caducas então. Por isso, àqueles que já tem um amor, cuide dele, cultive-o, viva intensamente. Àqueles que ainda não têm, não desistam, vivam bem o hoje, aprendam a estarem bem sozinhas, mas sem perderem a esperança de terem alguém para entrelaçarem os pés na noite, cansados do dia duro, e vivendo juntos sem prisão, sem pressão, simplesmente por que faz bem aos dois. Amour.