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domingo, 9 de março de 2008

bagunça

Estou pensando sobre a bagunça. Acabei de ler crônica de Rubem Alves, onde ele falava sobre a bagunça. Que interessante, ele também enxerga o lado positivo da bagunça. Ele é mais bagunceiro que eu. Ele não coloca os livros no lugar e deixa tudo em desordem. Eu gosto de um pouco de bagunça na casa, pois não faço de propósito, ela acontece e convivo bem com ela. Porque lavar a louça depois da janta, se minha mente está borbulhando com alguma idéia que quero executá-la ou escrevê-la? Porque devo sair organizando a casa toda noite antes de dormir, se não vejo a hora de deitar e ler mais um capítulo do livro que estou lendo no momento?
Gosto do meu pequeno escritorio organizado. Os livros têm que estar no lugar. Facilitam minha vida. Gosto de procurar uma anotação, e achar com facilidade.
Gosto de procurar um livro para transcrever um parágrafo e achá-lo aonde coloquei. Mas não me preocupo com uma bagunça de vez em quando, mesmo no meu escritório. É bom colocar os livros de volta. É bom organizar. Como organizar se sempre estiver tudo
nos devidos lugares?
Um dia, quando eu morava em Londres e trabalhavam em uma família, cuidando das crianças, pedi a menina de 9 anos Sophie, que organizasse seu quarto. Fiz minha obrigação em pedir e ela me respondeu calmamente “I like the way it is, I feel more at home”. Aquela pequena bagunça a fazia se sentir em casa. Concordei. O quarto não estava um caos, apenas algumas coisinhas fora do lugar. Uma certa bagunça dá um ar de aconchego.
Rubem Alves é um bagunceiro assumido. Ele citou em sua crônica sobre a bagunça no livro”Um mundo num grão de areia”, que Kurt Goldstein, um nome desconhecido para mim, explicava sobre o comportamento de pessoas que não conseguem conviver com a Bagunça. Kurt explicou; “as pessoas de posse de suas funções, intelectuais normais são capazes de conviver com a bagunça, do lado de fora, porque a sua mente as coloca em ordem, do lado de dentro. Mas aquelas que haviam sofrido aquele tipo de lesão (ele explicava sobre pessoas que haviam tido seus cérebros lesados durante a guerra) cerebral haviam perdido esse poder organizativo interno. Se o mundo de fora tivesse bagunçado, o seu mundo interno estaria bagunçado também. Daí a compulsão de manter o mundo de fora organizado.
Que interessante. Super organização pode virar neuroses. Quero viver em paz com minha bagunça e com minha organização. No stress.

1 comentários:

Lucia Cintra Stevenson disse...

Eu sou bagunceira e sempre fui. As vezes me inspiro a organizar tudinho ao meu redor, faco com gosto, mas tenho que estar inspirada. E tudo fica lindo e nos seus lugares. Meu marido detesta essa minha "qualidade" ou defeito. Reclama da minha bagunca ate... mas fazer o que, ne? Eu ate tento, mas as coisas acabam "criando pernas" e visitando varios outros cantos da casa toda. rsrs. bjos